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Ampliação de Banco Genético auxilia investigações criminais em Mato Grosso do Sul

Coleta de DNA de custodiados fortalece ferramenta de combate ao crime e integra esforço regional do Codesul

05/05/2026 às 10:16
Por: Redação

A segurança pública de Mato Grosso do Sul ganha reforço significativo com a recente ação conjunta da Polícia Científica e da Polícia Penal, que coletou material biológico de aproximadamente 300 custodiados. A iniciativa ocorreu na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, localizada em Campo Grande, na última quinta-feira, dia 30. Esta operação, coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), faz parte da Operação Codesul Perfil Genético, um esforço colaborativo que envolve também os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

O principal objetivo das coletas é expandir o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), um instrumento vital para investigações criminais. Após um processo rigoroso de seleção dos custodiados, realizado conforme as previsões legais, o material biológico é coletado de forma não invasiva. Posteriormente, os perfis genéticos obtidos passam por processamento laboratorial e validação técnica, sendo então inseridos no BNPG, seguindo as diretrizes da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBG).

 

O BNPG funciona como uma ferramenta de cruzamento de dados, permitindo a comparação de perfis genéticos de pessoas legalmente cadastradas com vestígios biológicos encontrados em cenas de crime ou em vítimas. Essa capacidade de cruzamento é fundamental para identificar conexões entre diferentes delitos, auxiliar na determinação de possíveis autores e fornecer provas técnico-científicas robustas para o andamento de inquéritos e processos judiciais.

 

Atuação Integrada das Forças Policiais

 

A execução da operação em Mato Grosso do Sul demonstrou a importância da colaboração entre as instituições. A Polícia Penal foi responsável pela triagem, seleção e organização dos custodiados dentro da unidade prisional, garantindo a ordem e a segurança do processo. Já a Polícia Científica, por meio do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF), encarregou-se da coleta do material, da análise laboratorial, da validação dos dados e da gestão técnica dos perfis genéticos.

 

Rodrigo Rossi Maiorchini, diretor-presidente da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), enfatizou a relevância dessa sinergia.

 

A etapa realizada dentro do estabelecimento penal exige planejamento, controle de fluxo e identificação prévia dos custodiados que se enquadram nos critérios legais. Esse trabalho de organização é o que permite que a Polícia Científica execute a coleta com segurança e dentro dos protocolos necessários.

 

A perita criminal Josemirtes Prado da Silva, diretora do IALF, também ressaltou o impacto da participação do instituto na iniciativa.

 

Cada perfil inserido com qualidade técnica amplia a capacidade de comparação do banco. Isso pode permitir a conexão entre crimes, indicar possíveis autores e abrir novas linhas de investigação em casos que dependem de prova científica.

 

Impacto dos Dados Genéticos em Mato Grosso do Sul e no Brasil

 

Atualmente, a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBG) em Mato Grosso do Sul contabiliza 5.034 perfis genéticos na esfera criminal. A maioria desses registros, 4.081 perfis, corresponde a indivíduos condenados, representando aproximadamente 40% das 10.178 pessoas no sistema prisional estadual, conforme dados do Mapa Prisional da Agepen de dezembro de 2025.

 

A base de dados estadual é composta por diversas categorias de perfis, incluindo os 4.081 de condenados, 910 perfis provenientes de vestígios biológicos, 39 de indivíduos criminalmente identificados, três coletados por decisão judicial e um de restos mortais identificados. Operações como a realizada na Gameleira II são cruciais para expandir esse universo de informações.

 

A efetividade desses perfis se manifesta quando são confrontados com vestígios biológicos encontrados em locais de crimes ou em vítimas. Até novembro de 2025, Mato Grosso do Sul havia registrado 88 investigações que foram auxiliadas diretamente pela rede de perfis genéticos. Desse total, houve 46 coincidências entre diferentes vestígios e 13 coincidências entre vestígios e indivíduos previamente cadastrados criminalmente.

 

Em escala nacional, o XXIII Relatório da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos, com informações consolidadas até 28 de novembro de 2025, indica um total de 272.275 perfis genéticos cadastrados no Banco Nacional. Este mesmo relatório aponta 11.251 coincidências confirmadas e um total de 8.132 investigações auxiliadas em todo o país.

 

A ação coordenada pela Sejusp em Campo Grande, portanto, é um passo fundamental para fortalecer a base de comparação genética, essencial no apoio a investigações criminais e na instrução processual, sempre respeitando os limites legais e técnicos estabelecidos para o uso de dados genéticos.

 

Maria Ester Rossoni, Comunicação PCi-MS

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