Na região remota do Pantanal sul-mato-grossense, a Serra do Amolar representa um símbolo de resistência. Acesso ao local não é feito por rodovias, mas por rios ou via aérea, ressaltando o isolamento com rotas medidas em horas de navegação.
Edilaine Nogales de Arruda, pescadora e residente da área, enfrentava a dificuldade de burocracia devido à distância dos centros urbanos, o que limitava o acesso a importantes documentos para aproveitar políticas públicas.
De acordo com Edilaine, "Como ribeirinhos, temos a vantagem de sermos pescadores profissionais. Sou associada a uma colônia, que me orientou sobre o CAF (Cadastro da Agricultura Familiar), para que possamos investir e melhorar nosso trabalho de pesca e os equipamentos, como o motor", revelou.
Era complicado para a família se deslocar até Corumbá, o município mais próximo. Contudo, no ano anterior, a Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), através da 10ª Expedição Pantanal conduzida pela PMA (Polícia Militar Ambiental), trouxe um novo caminho. Isaque Pécora de Andrade, extensionista da Agraer, participou da expedição e conseguiu emitir 45 novos CAFs.
A obtenção do CAF permitiu que Edilaine conseguisse um financiamento via Pronaf B para compra de um motor. "Anteriormente, nosso pescado mal saía de casa, dependíamos de compradores que vinham até nós. Agora, conseguimos transportar nossos produtos, o que foi um enorme avanço", explicou.
O novo equipamento também reduziu o tempo de viagem para Corumbá, que antes demorava um dia inteiro e agora pode ser feito em poucas horas, proporcionando novas possibilidades.
"A logística melhorou significativamente. Em emergências, posso levar minha família rapidamente à cidade", comenta Edilaine, destacando não apenas a agilidade, mas também a autonomia na escolha de quando e para onde ir e a quem vender, transformando o rio em rota para oportunidades.
A atuação da Agraer na expedição não significou trazer soluções prontas, mas sim acessibilizar direitos. Em lugares como a Serra do Amolar, as políticas públicas dependem de planejamento e cooperação para superar barreiras físicas.
Para Edilaine, a mudança não foi apenas sobre o motor, mas sobre abrir novas perspectivas de dignidade e renda, reforçando a decisão de permanecer no local.
A Agraer, presente em todos os municípios de Mato Grosso do Sul, continua a apoiar práticas sustentáveis ao integrar conhecimento e tecnologia com tradições locais.
Produtores interessados em iniciar novas atividades ou agregar valor à produção são incentivados a visitar os escritórios da instituição para orientação.